Dirt (álbum de Alice in Chains) Nota: Esse artigo é sobre o álbum da banda Alice in Chains. Se procura pela canção de mesmo nome, veja Dirt (canção).
Dirt é o segundo álbum de estúdio da banda de rock americana Alice in Chains, lançado em 29 de setembro de 1992 pela Columbia Records.[7] As faixas "Would?", "Them Bones", "Angry Chair", "Rooster" e "Down in a Hole" foram lançadas como singles. Álbum que trouxe fama à banda, Dirt é lembrado por muitos como o magnum opus do Alice in Chains, e clássico da era de ouro do grunge, tendo vendido mais de 5 milhões de cópias em todo o mundo.[8] Gravado enquanto o vocalista Layne Staley estava sofrendo devido ao vício em heroína,[9] a música sombria e torturada ajudou-o a se tornar um sucesso, alcançando a sexta posição na parada Top 200 da Billboard,[8] e ganhando disco de platina pela Recording Industry Association of America em menos de 2 meses de seu lançamento,[10] e através dos anos subindo até quádruplo disco de platina.[10] Dirt é habitualmente colocado em listas profissionais de melhores álbuns rock de todos os tempos.[11] Bem recebido tanto por público como crítica, chegou a ser indicado para um Grammy Awards em 1992, como melhor performance vocal de hard rock.[12] AntecedentesApós ganharem disco de ouro pelo seu álbum de estreia, Facelift, e pela popularidade do grunge estar cada vez maior devido a explosão do Nirvana, lançando Nevermind em 1991, criou-se antecipação pelo próximo lançamento do AIC e passou-se a promover o grupo como alternativo, em oposição às audiências de heavy metal como nas primeiras turnês.[13] Assim, em 1992, a banda lançou um EP de composições semi-acústicas intitulado Sap,[14] que contava com as participações de Ann Wilson do Heart, Chris Cornell do Soundgarden e Mark Arm do Mudhoney.[15] No mesmo ano, a banda estreou na sétima arte no filme Vida de Solteiro, do diretor Cameron Crowe, como uma banda de bar durante uma das cenas do filme tocando "It Ain't Like That" e a canção inédita "Would?", que foi lançada como single para a trilha sonora do filme.[16] De acordo com Jerry Cantrell em entrevista a uma rede de TV canadense, essa aparição aconteceu devido a Seattle não ser uma cidade grande e o Alice in Chains conhecer a banda Heart, a qual guitarrista Nancy Wilson é esposa do diretor Cameron Crowe. A banda então enviou a Crowe, em 1991, uma demo com 10 músicas[17] (algumas que apareceriam mais tarde no álbum Dirt e outras que formaram o EP Sap) e "Would?" foi escolhida e regravada para integrar a trilha sonora.[1] "Would?" foi bem recebido, inclusive ganhando um MTV Video Music Awards em 1993 como Best Video from a Film,[12] e tido como um dos hinos do grunge e da Geração X, gerando antecipação pelo próximo LP do grupo.[16] No final de 1991 foram apresentadas ao público as canções "Sickman" e "Junkhead".[18] Seguindo o lançamento do single, o Alice in Chains começou a gravar o sucessor de Facelift,[19] sem qualquer pressão ou interferência da gravadora.[20] ProduçãoGravaçãoOs membros da banda começaram a ensaiar o álbum em Los Angeles, Califórnia e em 29 de abril de 1992,[1] entraram nos estúdios One on One e Eldorado com o produtor Dave Jerden,[21] continuando a parceria dos dois álbuns anteriores da banda.[22] Tom Araya, vocalista do Slayer, foi chamado para participar de uma brincadeira de Jerry Cantrell com um riff constantemente tocado pelo guitarrista para irritar os outros membros de banda e a canção "Iron Man" (do Black Sabbath), cantando a vinheta intitulada "Iron Gland". Tom, a princípio, achou a ideia idiota, mas foi persuadido quando Cantrell afirmou que era exatamente por esse motivo que ele tinha que cantar isso. A vinheta somente apareceu no álbum após Cantrell prometer nunca mais tocar o riff novamente.[23] Durante as gravações, animosidades entre Staley e o produtor Dave Jerden surgiram devido ao produtor repetidamente ter pedido para o vocalista ficar limpo e sóbrio naquele tempo, o que teria criado tensões. Jerden mais tarde comentou "E qual o meu trabalho como um produtor? Produzir um disco. Eu não estou sendo pago para ser amigo do Layne".[24] As sessões acabaram em maio do mesmo ano. O álbum foi mixado por Jerden no Eldorado e a masterização foi feita por Eddy Scheryer e Steve Hall no Future Disc, em Hollywood.[21] Na pós-produção, treze canções foram consideradas para inclusão no álbum, das quais somente 12 acabaram na versão final,[25] com a adição em último momento de "Would?". MúsicaDiferente de Facelift, Dirt marca o abandono completo da veia glam rock que a banda possuia em começo de carreira e que permeava algumas canções do álbum antecessor. O som se encontra mais pesado,[26] tendendo mais ao heavy metal mas caracterizado suficiente para ser rotulado grunge, uma evolução natural ao som da banda, ainda que o último lançamento tenha sido o acústico Sap. Um diferencial é a presença de uma típica balada na faixa "Down in a Hole". O guitarrista Jerry Cantrell, principal compositor da banda, escreveu grande parte do material, mas contou com uma participação maior dos outros membros do grupo, notadamente o vocalista Layne Staley, que compôs "Hate to Feel" e "Angry Chair", além de assinar as letras de quase todas as canções presentes no álbum. A colaboração conjunta de todo o grupo foi a canção "Rain When I Die",[27] visivelmente diferente do resto do álbum. Steve Huey, da All Music Guide, afirmou que o tom das canções do álbum "lembram muito a paisagem quebrada e assombrada de sua arte de capa".[9] O conteúdo lírico de Dirt inclui examinações sobre o amor em "Down In A Hole" e "Rain When I Die", ainda que o tema principal seja o vicio em drogas. As canções "Sickman", "Junkhead", "Dirt", "God Smack", "Hate to Feel" e "Angry Chair" são baseadas nas experiências de Staley com heroína e formam o semi-conceito do álbum.[20]
Outros temas são abordados neste álbum. A mortalidade é o tema de "Them Bones", exorcizando os demônios de Jerry Cantrell,[20] e "Would?", baseado na morte do vocalista do Mother Love Bone, Andrew Wood.[23] "Dam That River" é sobre uma briga entre Cantrell e Kinney,[20] e "Rooster" é baseada nas experiências do pai de Cantrell, que lutou na Guerra do Vietnã.[9] Metade do material para Dirt foi composto durante a turnê Clash Of The Titans, de um ano e meio a dois antes da gravação do álbum ("Dirt" e "Rooster" são ainda mais velhas, tendo sido apresentadas ao público durante a turnê de 1990 com Iggy Pop), enquanto a outra metade foi escrita e composta um mês antes da gravação.[20] Promoção e lançamentoO grupo partiu para a filmagem do vídeo para o primeiro single do álbum, "Them Bones", filmado por Rocky Schenck[28] em Los Angeles.[29] O vídeo mostra a banda tocando em um vale, enquanto imagens diversas em relação ao tema da música são mostradas.[30] Alice in Chains começou sua turnê para Dirt poucos dias antes de seu lançamento, incluindo uma performance na festa de lançamento do filme Vida de Solteiro, tocando "Junkhead"[ligação inativa] e "Would?"[ligação inativa].[31] Dirt foi lançado mundialmente em 29 de setembro de 1992. As primeiras prensagens do álbum, incluindo os lançamentos canadense e europeu, apresentam "Down in a Hole" como a penúltima faixa ao invés da quarta, o que constitui um erro, já que dessa forma acabava cortando a linha de história do semi-conceito sobre vício, da tentativa de se desvincular do vício enquanto o álbum progride.[32] Nesta versão, o número de faixa de "Iron Gland" não está presente em nenhum lugar do álbum, levando a crer que há somente 12 canções no disco. O erro nunca foi reparado nas versões australiana (exceto a versão em cassete) e britânica do álbum, até mesmo em impressões posteriores, apesar de agora incluirem "Iron Gland" no disco, ainda que não na relação de faixas. O vídeo para "Angry Chair" foi filmado em dezembro de 1992, por Matt Mahurin,[28][29] continuando o caminho já pavimentado de "Them Bones" e aumentando ainda mais a popularidade da banda. A banda seguiu produzindo vídeos: "Rooster", por Mark Pellington[28] e, em agosto de 1993, para "Down in a Hole", filmado por Nigel Dick[28] em Palm Springs e dedicado a Chuck, falecido cachorro de Mike Inez.[29] Turnês de suporteApós alguns concertos pequenos, o Alice in Chains embarcou em uma turnê de 3 meses com Ozzy Osbourne pelos Estados Unidos, na qual Layne Staley quebrou seu pé e ainda assim seguiu se apresentando com a banda de cadeira de rodas e muletas, não perdendo nenhuma data. Camisas dessa turnê mostravam o raio-X do pé quebrado de Staley.[29] Após, seguiu-se uma turnê pela costa oeste dos EUA, com as bandas de abertura Screaming Trees e Gruntruck.[29][33] Antes de embarcar para a Europa, o grupo teve uma rápida, mas marcante passagem pelo Brasil, se apresentando no festival Hollywood Rock, no Rio de Janeiro e São Paulo. Estas datas foram as últimas com o baixista Mike Starr que abandonou a banda devido ao cansaço das extensas turnês. A banda prontamente convocou o baixista da banda de Ozzy Osbourne, Mike Inez, para substituí-lo.[34] Com esta formação, o Alice in Chains percorreu o velho continente durante os meses seguintes, o que incluiu uma apresentação no programa televisivo Later with Jools Holland tocando "Them Bones"[ligação inativa] e "Would?"[ligação inativa].[35] Após esta, no verão de 1993, a banda participou das datas do festival alternativo Lollapalooza, ao lado de bandas como Primus, Tool, Rage Against the Machine e Babes in Toyland,[36] confirmando Inez como novo baixista.[34] A banda foi bem recebida durante o festival, porém, seria a última vez que o Alice in Chains embarcaria em uma grande turnê. A banda ainda fez uma turnê relâmpago chamada Down In Your Hole que passou pelos EUA, Europa, Japão e Austrália em 6 semanas[29][37] e contou com as bandas de abertura My Sister's Machine, Sweetwater, Tad, The Poor Boys e Suicidal Tendencies, acabando suporte para o álbum em outubro de 1993.[38] Durante suas turnês de divulgação, mesmo com Dirt fazendo sucesso, o grupo tocou seus concertos como atração principal apenas em lugares pequenos, devido a receios por parte de empresários e dos agentes de reserva de concertos.[39] Às suas apresentações, a banda incorporou uma grande parte de canções do novo álbum, mantendo os sucessos do álbum anterior, Facelift, e suprimindo completamente canções antigas das demos da banda que apareciam esporadicamente (como "Queen of the Rodeo" e "Social Parasite") e canções como "I Know Somethin' ('Bout You)" e "I Can't Remember".[40] "Iron Gland" passou a ser geralmente usada como uma introdução para os concertos da banda a partir desta época. Trabalho de arteA arte de Dirt foi feita por Mary Maurer (direção e efeitos), Doug Erb (design) e David Coleman (logotipo), enquanto a fotografia ficou a cargo de Rocky Schenck.[21] A capa do álbum mostra uma mulher enterrada num terreno com erosão no meio do deserto, ao fundo tendo montanhas distantes e céu laranja. Ao contrário da crença popular, a modelo que posou para as fotos da capa não é a antiga namorada de Layne Staley, Demri Parrott,[41] e sim a modelo e atriz Mariah O'Brien,[42] que já havia sido fotografada anteriormente por Schenck para a capa do single “Bitch School“ da banda Spinal Tap.[42] Schenck divulgou as imagens dos bastidores da sessão de fotos com Mariah O'Brien na revista Revolver em 2011.[42] Uma versão alternativa da capa, sem a mulher, ainda que suas roupas e cabelo permaneçam, é apresentada no disco dois da coletânea Music Bank de 1999.[43] Na parte de trás do CD de Dirt há a listagem das músicas do álbum (não incluindo "Iron Gland") sobre uma foto de Mike Starr, Layne Staley e Sean Kinney sem camisa, com Jerry Cantrell ao fundo estendendo seus braços.[44] O encarte inclui fotos da banda, as letras das músicas e o desenho icônico do sol feito por Staley, em um fundo vermelho.[45] Somente os singles de "Would?", "Them Bones" e "Angry Chair" utilizaram imagens da sessão de fotos de Dirt.[46] O álbum foi assim intitulado a partir da canção de mesmo nome, que exprime o ambiente desesperançoso que permeia o álbum, melhor descrito através da passagem:
Recepção e repercussões
A recepção do público foi calorosa e Dirt entrou na parada Top 200 da Billboard na 6ª posição. O álbum permaneceu na parada por 102 semanas.[47] Após menos de dois meses, o álbum já era disco de platina,[10] e através dos anos chegou a quádruplo disco de platina.[10] Layne Staley comentou sua surpresa a receptividade por não considerar o material "tão acessível e aceitável", imaginando que o álbum ficaria nas últimas posições das paradas e subiria gradativamente, tal como acontecera com Facelift.[48] Críticos responderam bem ao álbum, ainda que muitos o tenham criticado como "ostensivamente pró-heroína". Staley comentou dizendo que o álbum é "ostensivamente contra", ainda que "algumas pessoas percebam sobre o que se trata, mas entendam uma mensagem completamente errada".[39] Eventualmente, surgiram rumores de que Staley era um viciado na droga,[13] o que o levou a evitar entrevistas.[20] A relação entre o vocalista e a imprensa somente pioraria com o passar dos anos e confirmaria os rumores.[49] Dirt ganhou vários títulos, incluindo Álbum do Ano pela Spin Magazine[50] e Kerrang.[39] A Virgin Books em seu Virgin Encyclopedia of Popular Music deu a pontuação máxima para o álbum, enquanto também recebeu ótimas críticas da All Music Guide,[9] Rolling Stone,[51] Ultimate Guitar[52] e Q.[53] Em 2000, Dirt foi considerado um dos 100 Álbuns Mais Importantes da Década de 90 pela revista alemã Visions[54] e até hoje é considerado o álbum que levou o Alice in Chains ao chamado mainstream, além de ser o melhor recebido por crítica e público,[55] muitos o considerando como o magnum opus da banda.[56][57] Raw Magazine comentou que o disco é "possivelmente um dos mais significantes álbuns a emergir nos tempos recentes, porque é um disco imensamente pessoal cheio de demônios igualmente pessoais e uma perfeita síntese musical de 20 anos de rock 'n' roll".[58] Suporte para Dirt acabou no final de 1993, um período particularmente pequeno para um álbum tão bem sucedido e em comparação com os 2 anos e meio de turnês para Facelift.[33][59] Finalizou com quatro singles, já que "Would?" foi lançado como single para a trilha sonora do filme Vida de Solteiro.[16] Dirt também marcou a ruptura entre o Alice in Chains e o produtor Dave Jerden, tendo a banda, especialmente Layne Staley, escolhido trabalhar em seus álbuns subseqüentes com Toby Wright. Apesar disso, o Alice in Chains voltaria a trabalhar com o produtor brevemente em 1998 na gravação de "Get Born Again" e "Died" para a coletânea Music Bank. Entretanto, após nova desavença, a banda decidiu continuar as gravações com o produtor Toby Wright.[24] FaixasVersão oficial
Nota: "Sickman", "Junkhead", "Dirt" e "God Smack" foram creditadas à Cantrell/Staley sem especificação de letra ou música.[60] Versão australiana/britânica e primeiras prensagens
OuttakesAs seguintes canções foram escritas e gravadas para Dirt, mas não entraram na versão final, não foram completadas ou não passaram do estágio de demo.
CréditosInformações retiradas da entrada para o álbum no sítio Discogs.[21] Banda
Participações
Técnicos de produção
Outros
Posições nas paradasÁlbum
SinglesInformações retiradas do histórico das paradas da Billboard.[63]
DistinçõesA informação relativa a distinções atribuídas a Dirt é adaptada de AcclaimedMusic.net.[11]
(*) listas não ordenadas. Referências
Ligações externas |