As eleições estaduais em Santa Catarina em 1998 foram realizadas em 4 de outubro, como parte das eleições gerais no Brasil. Os cidadãos aptos a votar elegeram o Presidente da República, o governador e um senador, além de deputados estaduais e federais.[1]
Nas eleições de 1994, Paulo Afonso Vieira furou uma fila de políticos tradicionais – inclusive no próprio partido – e chegou ao governo do Estado com apenas 37 anos. O peemedebista era fiscal de carreira da Secretaria da Fazenda, havia cumprido um mandato como deputado estadual e disputou duas vezes o cargo de governador em eleições que pareciam perdidas e, por isso, afugentaram os caciques. Na segunda tentativa, em 1994, surpreendeu a favorita Ângela Amin (na época PPR, atual PP) e venceu no segundo turno.
A euforia do governo que prometia promover uma política municipalista e que construiu uma ligeira maioria parlamentar durou cerca de dois anos. A segunda metade do mandato de Paulo Afonso foi de crise permanente até o dia 8 de outubro de 1997, quando o governador escapou de um processo de impeachment na Assembleia Legislativa. Precisava de 13 dos 40 votos para continuar no mandato. Recebeu 14. Continuou no antigo Palácio de Governo, em frente à Praça Tancredo Neves, até o fim de um mandato que ficou marcado pela polêmica emissão de títulos públicos que motivou o pedido de impeachment, pelo constante atraso de salários do funcionalismo e pela derrota para Esperidião Amin (PPB) ainda em primeiro turno na tentativa de reeleger-se em 1998.
Abertura de processo de impeachment de Paulo Afonso
Em 1997, o governo Paulo Afonso enfrentou uma grave crise política, motivada pela denúncia feita no final de 1996 pelo então senador Vilson Kleinübing (PFL), que acusou Paulo Afonso de haver emitido irregularmente, na época em que era titular da pasta da Fazenda, 605 milhões de reais em títulos públicos para o pagamento de dívidas judiciais do governo (precatórios). Essa e outras denúncias — envolvendo também os governadores Miguel Arraes (PSB), de Pernambuco, e Divaldo Suruagy (PMDB), de Alagoas — levaram à instalação, em novembro de 1996, de uma Comissão parlamentar de inquérito (CPI), no Congresso Nacional, para apurar irregularidades na emissão e negociação de títulos estaduais entre 1995 e 1996. Os trabalhos da CPI dos Precatórios desvendaram parte de um complexo esquema montado por corretoras de valores, com a conivência de governos estaduais e prefeituras, para ganhar milhões de reais às custas dos cofres públicos.
No entanto, foi em Santa Catarina que a questão ganhou contornos mais nítidos de disputa política regional. O empenho dos dois senadores catarinenses — Kleinübing, do PFL, e Esperidião Amin, agora no Partido Progressista Brasileiro (PPB), agremiação surgida em agosto de 1995 a partir da fusão do PPR com o PP — nas investigações denunciava a estratégia oposicionista para desestabilizar o governo do PMDB que, com apoio das forças progressistas do estado, configurava-se o principal obstáculo à hegemonia das tradicionais oligarquias políticas catarinenses.[parcial?] No início de 1997, o PFL, que havia apoiado Paulo Afonso no segundo turno das eleições de 1994 e ocupava algumas secretarias do governo, recompôs sua aliança com o PPB e, retirando-se do governo, passou a exigir na Assembléia Legislativa o impeachment do governador.
Por solicitação da seção catarinense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o processo contra Paulo Afonso Vieira foi instalado na Assembléia, mas acabou sendo definitivamente arquivado no dia 8 de outubro, quando a maioria dos deputados negou apoio à deposição do governador. Porém, em julho de 1999, a Justiça colocou os bens de Paulo Afonso em indisponibilidade, por conta da questão dos precatórios.